Quando me perguntam se sou romântica não sei o que responder. E minha resposta é: defina uma pessoa romântica. Não sei o que é uma pessoa romântica. É uma pessoa que vive demonstrando para todos o quanto ama alguém? Uma pessoa que precisa provar constantemente para todos que ama e é amada? Para mim isso não é romantismo, é insegurança. Não vou negar que passei por essa fase. Assim como não nego que só passei por ela para convencer a mim mesma dos meus sentimentos. Graças a Deus isso se passou em uma época em que as redes sociais eram desconhecidas, assim, ninguém teve que sofrer com minhas verborragias sentimentais além do ser amado.
Mas voltando à minha adolescência, sim, passei horas do dia pensando naquele cara que eu achava que amava, quando no fundo ele era só uma desculpa para eu me sentir apaixonada. É, eu me apaixonava pela ideia de estar apaixonada. Um tanto platônico isso, verdade. Pensando hoje, acho que só amei duas pessoas na vida. E hoje estou com uma delas. Curiosamente, na época do "primeiro amor" eu não enchia caderninhos com declarações de amor, pensamentos e dúvidas. Isso sempre se passava quando eu não estava gostando de ninguém. Quando meus interesses se davam mais pela história que não aconteceu e jamais aconteceria do que pela pessoa em si. Vivia de "ses". Se ele me olhar, se ele me beijar, se ele... E pensando nisso me dou conta de que essa coisa de adolescente que sumiu com o passar dos anos ainda persiste em algumas pessoas. Várias simplesmente não amam o namorado. Amam a ideia de ser invejada por ter um namorado. Talvez nem sequer namorassem se não existissem as redes sociais para postar fotos e declarações de amor. Gostam de mostrar, apenas isso. Olha, esse é meu namorado lindo que me ama. Invejem-me, por favor! Sou amada! Invejem-me. Algumas inclusive não veem a hora de chegar em casa e postar todas as fotos com o namorado. Preferem amar sozinhas, em casa, longe da pessoa. Afinal, se não tem ninguém p/ olhar, qual a graça de estar junto? Quanto mais distante melhor, afinal, a saudade é praticamente o sinônimo do amor nestes tempos.
A propósito, não acredito em amor à distância. E não acredito porque, para mim, uma relação deve ser construída com pessoas e não com ideais de pessoas. É muito mais fácil você idealizar uma pessoa e se relacionar com ela. E a pessoa lá do outro lado da cidade, do Estado ou do País simplesmente se torna uma desculpa, um boneco que você vai utilizar para preencher com seu ideal de pessoa. Como brigar com alguém à distância? Ou melhor: por que brigar com alguém que está longe? Como conhecer alguém de verdade se vocês se veem uma vez por mês, por semestre, por ano? Como saber se o cara do outro lado tem bafo, tem chulé? Como saber se aquela menina escova os dentes, não é bipolar? Como saber se o outro simplesmente não é alguém completamente diferente do que apresenta pela internet? Conheço casais que só conheceram o outro realmente depois que casaram. E aí o mundo desmoronou. "Poxa, casei enganada!" é o que mais se ouve hoje em dia, seguido de "Eu não sabia que ele era assim", "Eu pensei que fosse diferente". Aí o que acontece? Ou a pessoa se engana eternamente e vai empurrando com a barriga, ou desiste e cai fora. E as estatísticas de casamentos que não deram certo vão crescendo. Sim, é quase impossível você conhecer alguém completamente antes de morar com essa pessoa e conviver com ela no dia a dia. E se isso já é praticamente impossível, para que dar sopa p/ azar? Já que não dá p/ conhecer totalmente, vamos tentar conhecer o máximo possível, pode ser?
Tá, sou suspeita para falar, afinal, namoro há 9 anos. Mas não me arrependo de não ter casado ainda. Ser impulsiva nunca foi a minha. Gosto de tudo planejado, tudo organizado. Sei que nem sempre as coisas acontecem como eu planejo, mas nem por isso vou deixar de planejar. É o meu jeito, paciência.
Assim como é o meu jeito não ser uma romântica-padrão. Você nunca vai me ver fazendo declarações de amor públicas. Nunca vou aparecer com um carro de som na rua, soltando fogos e pendurando faixas dizendo que amo. A não ser que isso seja para fazer piada, para sacanear alguém. Afinal, não dá p/ levar a sério uma pessoa dessas, não? E também não gosto de demonstrações efusivas de afeto. Aquela coisa e sair gritando, abraçando, beijando, rodando, te amo, te amo, beija, beija... Blergh! Não, obrigada, passo. Prefiro que tudo isso seja feito entre quatro paredes, apenas para nós dois.
Claro que gosto de abraços e beijos, claro que gosto de ouvir que alguém me ama, só não acho que seja necessário um circo para que todos vejam isso. Intimidade em tempos de internet e redes sociais é algo raro hoje em dia. E eu valorizo a minha. Daí quem vê de fora me acha estranha. Pior: acha que meu relacionamento é estranho. "Credo, vocês são tão frios!" Oi? Frios? Quer dizer que se um casal não ficar se agarrando em público eles são frios? Mas afinal de contas, por que tenho que provar que sou "quente"? Qual a necessidade que as pessoas têm de provarem constantemente que são felizes? Por que elas precisam da aprovação dos outros? Não sei.
É bom fantasiar sozinha. É bom fazer planos românticos. É bom dizer e ouvir "te amo". Mas não sei se é bom a necessidade de testemunhas. Não sei. Só sei que um pouco de romance é bom, sim. Mas só um pouco.
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