quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Los sueños que se cumplen son tan raros... ou não!

Engraçado como o ser humano precisa sonhar. E mais engraçado é como ele não perde a capacidade de sonhar mesmo quando todos os seus sonhos se realizam. Para mim a vida é feita de objetivos, de pequenos sonhos, e a felicidade nada mais é que a realização desses pequenos sonhos. E quando eles se realizam, lá vamos nós inventar novos sonhos. Mais ambiciosos talvez... Provavelmente é isso que nos faz crescer e viver. Desejar mais, lutar para alcançar. E quando se alcança, desejar ir mais além. A vida com objetivos fica menos chata, você tem menos tempo para reparar no que não tem. Menos tempo para reparar na vida dos outros. Quando se está empenhado em conquistar alguma coisa, as coisas pequenas deixam de ser importantes. Pessoas pequenas deixam de ser importantes, são deixadas de lado. Se não vai ajudar, então cai fora.
Sempre fui uma pessoa realista, desde criança. Nunca desejei brinquedos caríssimos, ou melhor, nunca tive a ilusão de que teria brinquedos caríssimos. Sempre fiquei presa ao orçamento dos meus pais e tinha plena consciência do que podíamos e do que não podíamos comprar. Em partes isso foi bom, pois aprendi a valorizar cada pequena coisa que tinha, e principalmente, a sonhar, a imaginar, a criar. Em partes foi ruim por limitar meus pequenos sonhos de consumo infantil. Mas sempre tive em mente que quando crescesse, compraria tudo que quisesse. E esse sonho aconteceu. Não passo mais vontade hoje em dia. Claro que sempre me programo, não vou esbanjando, afinal, ainda tenho meus pequenos sonhos para realizar. Fato é que não passo mais vontade se quero alguma coisa.
Mas falando de sonhos, me dou conta de que nunca sonhei muito alto quando mais nova. Talvez para não correr o risco de me frustrar, afinal, se você não espera nada da vida, o máximo que pode acontecer é realmente não acontecer nada. Mas mesmo não esperando nada, tive oportunidades de ouro que não deixei passar. E assim acabei realizando pequenos sonhos que antes eram considerados impossíveis. Como passar em uma Universidade pública tendo estudado apenas em escolas públicas. Como conseguir trabalhar no emprego dos meus sonhos.
Quando era adolescente, me apaixonei pela língua espanhola, e nessa acabei conhecendo e me apaixonando também pelo trabalho de um artista espanhol (o mesmo que escreveu o verso que dá título a esta postagem). Mas ele era espanhol, vinha ao Brasil raramente, e para mim o sonho máximo seria ver um show dele ao vivo. Carreguei esse sonho por longos 12 anos. E quando a oportunidade apareceu, agarrei. Conheci pessoas que valeram muito a pena nesse percurso. Outras nem tanto. Mas com a ajuda delas, novas oportunidades foram surgindo e eu finalmente consegui assistir a esse show. Chorei muito pela emoção de ter um sonho máximo realizado, e o melhor: ao lado da pessoa que amo. Mas não parou aí. Como falei, aproveitei todas as oportunidades que passaram na minha frente. E me empenhei de verdade em tudo que me comprometi a fazer. A recompensa sempre vem, e eu acabei conhecendo o tal espanhol pessoalmente. Para ser sincera, ele me era tão distante que eu jamais pensei que o conheceria pessoalmente. Nem sonhava com isso, pois parecia muito impossível. E no entanto lá estava eu, frente a frente com ele. Não chorei, não gaguejei. Não dei vexame nenhum. Um abraço, uma rápida conversa, um presente. E um muito obrigada por me mostrar que até os sonhos que você não sonha são realizáveis.
A partir daí me dei conta de como tudo poderia ser possível com um pouco de empenho. Consegui uma casa para meus pais, consegui virar uma profissional autônoma, dona do meu próprio negócio, consegui lidar com pessoas difíceis na minha vida com muito jogo de cintura. E este ano o tal espanhol apareceu de novo. E dessa vez eu tinha um objetivo: conseguir uma entrevista com ele para o programa de rádio que faço na Rádio Sanz. Junto de uma superamiga, que conheci na ocasião daquele primeiro show, corremos atrás. Literalmente. Conhecemos mais pessoas que valeram a pena. E também conhecemos melhor pessoas que não valiam a pena, mas que ainda não sabíamos. Afinal, ninguém nessa vida pode ser feliz impunemente. Mas como disse anteriormente, pessoas pequenas são deixadas de lado. E pessoas invejosas são pessoas pequenas deixadas de lado com muito prazer. Em uma semana corremos todos os dias. Sem almoço, sem janta, correndo contra o tempo ("que corre porque é um covarde"), tentando dar conta de todos os compromissos sem faltar com ninguém. Porque a amizade também é um compromisso importante. E correr atrás dos seus sonhos não significa abandonar quem te quer bem. Algumas pessoas foram uma verdadeira surpresa, torceram pelo nosso sucesso de coração, outras nem tanto, se sentiram traídas, sabe-se lá por que razão. E no final de uma semana de muita luta, conseguimos nosso objetivo. Durante a semana nos encontramos várias vezes com o cantor, e nos abraçamos, conversamos, rimos juntos, foi fantástico. Na hora da entrevista não podia ser diferente. Sempre atencioso, sempre rindo, tudo foi perfeito. E mais uma vez ele me provou que eu posso tudo que quero.
O depois não foi só paraíso, claro. Muitas fofocas, muita inveja, mas principalmente, muitas manifestações de apoio de gente querida! Tantas que fez as fofocas se sentirem tão pequenas que ninguém deu atenção. Gente que viu o duro que demos vibrou tanto ou mais que a gente e com a gente. E é muito bom realizar um sonho junto de amigos. Hoje tenho plena consciência de que tudo pode acontecer. E quando começar a desanimar, vou poder lembrar disso tudo. E ao contrário do verso que escreveu, esse espanhol me provou que "los sueños que se cumplen" NÃO SÃO TÃO RAROS assim. Obrigada Alejandro Sanz, por realizar vários pequenos sonhos meus, mas principalmente por me mostrar que vale a pena sonhar alto. Porque com muita luta e muita insistência, eles um dia se realizam! :D

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Papel, caneta e um coração: amizade de verdade...

Daí a gente começa a escanear as fotos do colegial e lembra das cartas que escrevíamos para as amigas... Então corremos para pegar a caixa de cartas antigas e se depara com muitas recordações. Naquela época não existia Facebook, não existia e-mail. Era carta, envelope, selo e a famosa "carta-social" na caixinha do Correio. Bilhetinhos com mensagens de "te adoro" "vc é +QD+" e "te curto p/ KCT", cartas sérias discutindo algum mal-entendido, cartões de aniversário, de Natal, cartinhas entregues apenas para fazer aquela dobradura nova de envelope... Várias dobraduras que fazíamos, o conteúdo nem era o mais importante, ia só uma mensagem de carinho e pronto. A gente tinha tempo de dedicar uns minutinhos com um papel e uma caneta para outra pessoa. Talvez seja por isso que essas amizades duram até hoje, apesar da falta de tempo e do excesso de distância. Como serão as amizades feitas hoje virtualmente? Será que vão durar tanto assim como as nossas? Será que a mesma internet que aproxima consegue criar laços tão duradouros como os que foram criados com papel e caneta? NaniVivianeGrazzielleLíviaConceiçãoLyudiAmanda,KeylaJuliana, e muitos outros amigos dos quais me perdi na vida: ainda guardo TODAS AS SUAS CARTAS. E guardarei sempre, com muito carinho! Obrigada por darem sentido a minha vida e por estarem comigo em todos os momentos. Seja pessoalmente, seja em pensamento. :D

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Homens (?)

Alguém me explica o que raios está acontecendo com os homens de hoje em dia? Não, não sou uma pró-machista, nem antifeminista, nem nada do gênero, mas o fato é que os homens de hoje diferem enormemente dos de 10 anos atrás. Por exemplo, há 10 anos você jamais veria um homem com medo de estragar as unhas. Aliás, já era estranho um homem fazendo as unhas! Alguns, inclusive, são mais vaidosos que muita mulher que conheço. Cremes, roupas, cabelo, pé, mão, até maquiagem! Caraca, quando eu ia sonhar em ver um cara passando pó para jogar futebol? Eu, que só comecei a usar pó depois dos 20 (por pura desencanação, confesso). Não vou negar que um homem bem-cuidado é bonito, sim. Assim como não nego que um homem largado é um problema. Mas será que não dá pra ter um meio termo? Nem demais, nem de menos? Um homem que corta as unhas, lava o cabelo, toma banho, sei lá, pra mim tá ótimo. Nada contra aqueles que usam hidratante, condicionador, creme para as mãos e tals. Tenho um certo problema com homens que usam base nas unhas, mas aí é coisa minha, me broxa e ponto. Agora o que não dá pra aguentar é homem que fica 1 hora e meia no banheiro fazendo escova, modelando cabelo, passando creme nos pés, nas mãos, creme para estrias, gordura localizada, anti-idade, antirrugas, antiolheiras, antitestosterona! Imagina você cheia de amor para dar antes de dormir, espera o cara na cama por uma hora e quando ele finalmente chega, você dá de cara com uma máscara noturna de pepino, robe branco e pantufas! "Ah, hoje não, amor, acabei de colocar minha máscara noturna, vai estragar tudo."
Imagina seu marido roubando suas revistas femininas para descobrir as novidades no mundo da beleza? Pior: discutindo o melhor creme antissinais com suas amigas. Ou aquela lipo dos sonhos. "Amor, você acha que essa blusa me deixa gordo?" Oi? Essa pergunta não devia ser minha? Essas frescuras não deveriam ser minhas? Ah não. Podem me chamar de antiquada, mas homem, para mim, deve pelo menos parecer homem. Quer coisa melhor que aquela barba por fazer roçando no seu pescoço? Ou então uma mão um pouco áspera (um pouco só, não ralador de queijo!) no seu corpo?
Em tempo: adoro homem que cozinha. É sexy! Também adoro homens sensíveis. Sensíveis, não chorões, tá? Tem uma diferença absurda entre eles. Nada contra homens adotarem algumas características consideradas exclusivamente femininas no século passado. Mas como tudo, em excesso é péssimo. Homem que cozinha é bom, homem cheiroso é bom, homem sensível é bom. Mas homem que tenta ser mais bonito, macio e fashion que você, que não quer quebrar a unha ou sujar o sapato, que é inseguro com relação à aparência... Aff! Aliás, insegurança é ruim em qualquer um dos lados. Homem inseguro, se achando gordo e feio é tão chato quanto mulher insegura que se acha gorda e feia.
De fato, sou uma pessoa que não tolera frescuras. Mas homem fresco é pra morrer de catapora, viu?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Gostoso como um abraço

Tem coisa mais gostosa que um abraço? Um abraço apertado, dado com vontade, claro. Aqueles "encosta-de-lado-tapinha-nas-costas" p/ mim dão igual, não têm graça nenhuma, são como apertos de mão. Mas aqueles abraços em que a pessoa realmente se entrega, aperta com vontade e, você sente, sorrindo. Um abraço com sorriso é maravilhoso. Independente do motivo. Se é um abraço de saudade por fazer tempos que vocês não se viam. Um abraço de aniversário. Um abraço de "parabéns", seja lá qual for o motivo. Um abraço porque seu time ganhou. Um abraço porque você passou no vestibular. Um abraço porque você se formou. Ou um abraço que diz "eu te amo". Aquele abraço sem palavras, em que os corações se encontram e falam por si só. Aquele abraço que diz "como estou feliz por estar aqui com você". Um abraço de amizade, um abraço de consolo quando você está triste. Um abraço de reconciliação depois da briga.
Nessa vida corrida é difícil conseguirmos um tempo para sentar e conversar com quem se gosta. É tanto por fazer, por entregar, são tantos prazos, tantas tarefas, tanto... tanto! Mas aí no meio do dia você ganha um abraço bem dado. E o mundo para naquele momento. Ninguém fica olhando o relógio no meio de um abraço. São alguns segundos seu e daquela pessoa, mais nada. Não custa nada e faz um bem imenso. Sem contraindicações, exceto se for mal-interpretado, claro! Mas aí o problema não é mais do abraço...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Um pouco de romance é necessário... Um pouco!

Quando me perguntam se sou romântica não sei o que responder. E minha resposta é: defina uma pessoa romântica. Não sei o que é uma pessoa romântica. É uma pessoa que vive demonstrando para todos o quanto ama alguém? Uma pessoa que precisa provar constantemente para todos que ama e é amada? Para mim isso não é romantismo, é insegurança. Não vou negar que passei por essa fase. Assim como não nego que só passei por ela para convencer a mim mesma dos meus sentimentos. Graças a Deus isso se passou em uma época em que as redes sociais eram desconhecidas, assim, ninguém teve que sofrer com minhas verborragias sentimentais além do ser amado.
Mas voltando à minha adolescência, sim, passei horas do dia pensando naquele cara que eu achava que amava, quando no fundo ele era só uma desculpa para eu me sentir apaixonada. É, eu me apaixonava pela ideia de estar apaixonada. Um tanto platônico isso, verdade. Pensando hoje, acho que só amei duas pessoas na vida. E hoje estou com uma delas. Curiosamente, na época do "primeiro amor" eu não enchia caderninhos com declarações de amor, pensamentos e dúvidas. Isso sempre se passava quando eu não estava gostando de ninguém. Quando meus interesses se davam mais pela história que não aconteceu e jamais aconteceria do que pela pessoa em si. Vivia de "ses". Se ele me olhar, se ele me beijar, se ele... E pensando nisso me dou conta de que essa coisa de adolescente que sumiu com o passar dos anos ainda persiste em algumas pessoas. Várias simplesmente não amam o namorado. Amam a ideia de ser invejada por ter um namorado. Talvez nem sequer namorassem se não existissem as redes sociais para postar fotos e declarações de amor. Gostam de mostrar, apenas isso. Olha, esse é meu namorado lindo que me ama. Invejem-me, por favor! Sou amada! Invejem-me. Algumas inclusive não veem a hora de chegar em casa e postar todas as fotos com o namorado. Preferem amar sozinhas, em casa, longe da pessoa. Afinal, se não tem ninguém p/ olhar, qual a graça de estar junto? Quanto mais distante melhor, afinal, a saudade é praticamente o sinônimo do amor nestes tempos.
A propósito, não acredito em amor à distância. E não acredito porque, para mim, uma relação deve ser construída com pessoas e não com ideais de pessoas. É muito mais fácil você idealizar uma pessoa e se relacionar com ela. E a pessoa lá do outro lado da cidade, do Estado ou do País simplesmente se torna uma desculpa, um boneco que você vai utilizar para preencher com seu ideal de pessoa. Como brigar com alguém à distância? Ou melhor: por que brigar com alguém que está longe? Como conhecer alguém de verdade se vocês se veem uma vez por mês, por semestre, por ano? Como saber se o cara do outro lado tem bafo, tem chulé? Como saber se aquela menina escova os dentes, não é bipolar? Como saber se o outro simplesmente não é alguém completamente diferente do que apresenta pela internet? Conheço casais que só conheceram o outro realmente depois que casaram. E aí o mundo desmoronou. "Poxa, casei enganada!" é o que mais se ouve hoje em dia, seguido de "Eu não sabia que ele era assim", "Eu pensei que fosse diferente". Aí o que acontece? Ou a pessoa se engana eternamente e vai empurrando com a barriga, ou desiste e cai fora. E as estatísticas de casamentos que não deram certo vão crescendo. Sim, é quase impossível você conhecer alguém completamente antes de morar com essa pessoa e conviver com ela no dia a dia. E se isso já é praticamente impossível, para que dar sopa p/ azar? Já que não dá p/ conhecer totalmente, vamos tentar conhecer o máximo possível, pode ser?
Tá, sou suspeita para falar, afinal, namoro há 9 anos. Mas não me arrependo de não ter casado ainda. Ser impulsiva nunca foi a minha. Gosto de tudo planejado, tudo organizado. Sei que nem sempre as coisas acontecem como eu planejo, mas nem por isso vou deixar de planejar. É o meu jeito, paciência.
Assim como é o meu jeito não ser uma romântica-padrão. Você nunca vai me ver fazendo declarações de amor públicas. Nunca vou aparecer com um carro de som na rua, soltando fogos e pendurando faixas dizendo que amo. A não ser que isso seja para fazer piada, para sacanear alguém. Afinal, não dá p/ levar a sério uma pessoa dessas, não? E também não gosto de demonstrações efusivas de afeto. Aquela coisa e sair gritando, abraçando, beijando, rodando, te amo, te amo, beija, beija... Blergh! Não, obrigada, passo. Prefiro que tudo isso seja feito entre quatro paredes, apenas para nós dois.
Claro que gosto de abraços e beijos, claro que gosto de ouvir que alguém me ama, só não acho que seja necessário um circo para que todos vejam isso. Intimidade em tempos de internet e redes sociais é algo raro hoje em dia. E eu valorizo a minha. Daí quem vê de fora me acha estranha. Pior: acha que meu relacionamento é estranho. "Credo, vocês são tão frios!" Oi? Frios? Quer dizer que se um casal não ficar se agarrando em público eles são frios? Mas afinal de contas, por que tenho que provar que sou "quente"? Qual a necessidade que as pessoas têm de provarem constantemente que são felizes? Por que elas precisam da aprovação dos outros? Não sei.
É bom fantasiar sozinha. É bom fazer planos românticos. É bom dizer e ouvir "te amo". Mas não sei se é bom a necessidade de testemunhas. Não sei. Só sei que um pouco de romance é bom, sim. Mas só um pouco.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Reflexão

Mais de um ano se passou, as postagens cessaram, mas não os pensamentos. E talvez seja por isso que aqui retorno, para ver se eles se aquietam e me deixam voltar a dormir em paz. Excesso de ideias faz mal. Excesso de reflexão, então, pior ainda. E aquela velha questão: "E se...? E se...?" Chato é depender dos outros para ser feliz. Ninguém consegue ser feliz sozinho. E quando digo sozinho é porque realmente não dá para ser feliz quando alguém próximo a você está mal. Maldita compaixão que nos tira o sono por causa de problemas alheios...
E às 3 da madrugada, estou aqui, tentando ordenar pensamentos, sem saber ao certo o que sinto, o que penso, e o porquê de tudo isso. Tentando entender por que as pessoas dificultam as coisas mais simples. Tentando entender como as coisas nascem e como elas morrem... Mas principalmente, tentando entender por que as pessoas não fazem questão de entender... Por que as pessoas ignoram as coisas, tal como sofistas, achando que ao fechar os olhos, tudo desaparecerá? Eu prefiro encarar a realidade, entendê-la, buscar os motivos, as razões, as consequências. Mas alguns não. Preferem fechar os olhos. Fazer de conta que nada mudou. Acreditar que pessoas não mudam, que lugares não mudam, que nada muda se ela assim acreditar bem forte. Tal como as crianças. "Se eu desejar com muita força, acontece." Não, não é bem assim. Nós desejamos que as pessoas aprendam com seus erros e muitas não aprendem. Ao contrário, continuam persistindo no erro sem tirar nenhuma lição disso.
Ver pessoas sofrendo por tão pouco tira meu sono... Ainda mais porque sei que só sofrem por não entenderem a situação. Sofrem gratuitamente. Sofrem por não querer ver o óbvio. Pessoas que se enganam diariamente, acreditando na própria mentira que criaram.
Às vezes penso que minha vida está passando rapidamente. Que não estou aproveitando devidamente. Que um dia, lá na frente, hei de me arrepender por todos os dias "vividos por viver". Mas o que fazer? Não sei. E isso também me tira o sono. Fato é que eu me acostumei com a rotina corrida: acorda, corre, sai, trabalha, volta, trabalha, come, dorme, acorda de novo, corre, corre, corre... E correndo e correndo, a sensação é a de não chegar em lugar nenhum. E isso é deprimente. Quando a balança desequilibra é deprimente. Profissional ok, familiar ok, pessoal? Hm... Não está ok. O que fazer? Como mudar? Como melhorar?
Buscamos a perfeição? Talvez. Alguns se contentam com o "tá bom assim". Outros nem se preocupam. Só querem estar bem no momento, olhando p/ próprio umbigo. Talvez as pessoas egoístas sejam mais felizes que as altruístas. Pelo menos a preocupação das primeiras são bem reduzidas quando comparadas à das segundas... Talvez o segredo seja não se importar. Mas como não se importar amando? Como deixar as coisas como estão se sabemos que estão erradas?
E as interrogações só aumentam, enquanto o sono tenta vencer a reflexão... E vence. Sempre vence...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Mães

Sei que estamos próximos do Dia dos Pais, que o Dia das Mãe já passou faz tempo, mas nessa minha vida de observações comecei a me dar conta de que muitas pessoas são o que são hoje por causa da criação que tiveram, para o bem ou para o mal. Também reparei que essas mesmas pessoas se baseiam na criação que tiveram para criarem seus próprios rebentos, seja como exemplo a ser seguido ou não.
Mas o que me motivou a escrever foi o choque ao me deparar com certas mães que simplesmente usam seus filhos, não se importando com o sentimentos deles e nem mesmo como de que modo isso poderá influenciar nas suas vidas futuras. Existem mães que por vaidade criam traumas em seus filhos que duram até a vida adulta. E este ser adulto nunca poderá ter um relacionamento saudável com ninguém por conta disso.
Conheço pessoas que têm relações mal-resolvidas com suas mães e nem sequer têm consciência disso. Pior: sequer têm consciência de que têm problemas. E sofrem a vida toda e fazem todos sofrerem com elas. Algumas não suportam olhar para suas mães, outras, ao contrário, sequer pensam na possibilidade de se desgrudarem delas. E vivem anos e anos com medo de um dia perdê-las ou de serem obrigados a se separarem delas. Evitam crescer por conta disso. Evitam responsabilidades e compromissos. Têm medo de serem obrigados a sair da saia da mãe se crescerem demais. Outros se separam de suas mães apenas para chamar a atenção delas. Vão para longe, ficam dias sem dar notícia, apenas para que elas se preocupem e demonstrem algum afeto. São os carentes, aqueles com a autoestima baixa, que em algum momento da vida se sentiram tão rejeitados pela própria mãe, que se recusam a passar por esse sentimento novamente. E fazem de tudo, se tornam "rebeldes", jogam com os sentimentos dos outros apenas para receber um afago da mamãe. No fundo, todo rebelde é um mimado querendo chamar a atenção. Jogando com todos, usando pessoas, envolvendo gente inocente no jogo, apenas para suprir sua vaidade. É deprimente. Dá pena de gente assim, pois eles jamais serão felizes. No dia em que suas mães morrerem, vão fazer o que da vida? Vão ser obrigados a chamar a atenção de quem? Afinal, quem vai sobrar depois de anos e anos de relacionamentos destrutivos?
Enfim, dá pena dessas pessoas, mas de quem é a culpa disso tudo? Na grande maioria, da mãe. Conheço mães que jogam os filhos um contra os outros apenas para ser disputada, se sentir importante, como uma grande dama de um harém masculino. E se vangloriam disso, colocam seus filhos no mesmo patamar de seus maridos e fazem com que eles briguem entre si pela atenção dela. Freud explica... ou lamenta. O famoso Complexo de Édipo é levado ao mais alto grau da insanidade por vaidade. E o pior disso tudo é que elas se designam grandes mães. Se consideram perfeitas, amadas ao extremo, sabem que seus filhos jamais vão trocá-la por ninguém mais. E quando isso acontece, se volta contra a escolhida do filhinho. Disputa o filho como se fosse uma presa, usa de todos os artifícios para acabar com tudo. Algumas conseguem e têm seus filhinhos na barra da saia a vida toda, como uma legítima Dona Armênia. Outras perdem a batalha e, consequentemente, seus filhinhos. Que descobrem uma face oculta da adorada mãe e se assustam, e se sentem enganados e somem. Esse é o grande risco que as Donas Armênias correm: o de serem descobertas pelos próprios filhos.
Mas também temos aquelas mães que têm filhos apenas para exibir por aí. Como se fosse um bibelô adquirido na sua última viagem ao exterior. Usam seus filhos apenas para exibir em eventos sociais. Ou para dizer que são "mães de família", para adquirir um status na sociedade, posar de mãe amorosa. Na intimidade do lar, sequer ligam para eles. Tratam as crianças como pequenos animais de estimação, dão comida, limpam, e deixam ali no cantinho brincando sozinhas. Daí, das duas, uma: ou elas vão criar novos carentes por atenção, ou vão criar pequenos marginais que vão posar de rebeldes apenas para conquistar a atenção dessas mães relapsas.
Ah, por que raios resolvi escrever sobre isso? Por um motivo bem simples: educação. Acabei de ler um e-mail falando justamente sobre a dificuldade que os professores têm para dar aula, do sucateamento da educação no Brasil, e cheguei à conclusão de que não há o que fazer para melhorar a educação se não melhorarmos a "educação" do povo. Muitos acham que falta investimento, mas de que adianta investimento, melhora de infraestrutura e de capacitação de professores se os alunos continuarão a ser os mesmos? De que adianta dar computadores novinhos, material de última geração, professores com doutorado, se os alunos serão os mesmos que vão à escola apenas porque são obrigados? Que não estudam porque estudar é "coisa de nerd", é para os fracos e impopulares? Enquanto a mentalidade dos estudantes de hoje não mudar, não adianta investir, pois seria jogar pérolas aos porcos. E enquanto existirem mães que delegam a educação de seus filhos para a sociedade, nada vai mudar.
Muitos são os que reclamam do país, que reclamam dos governantes, mas ninguém se dispõe a mudar, ninguém se preocupa com o bem-estar dos outros. Enquanto a sociedade tiver essa (falta de) educação, nada vai mudar. No fundo, cada país tem o governante que merece...